Wednesday, September 17, 2008

"As pessoas dão um passo para ti e tu dás dois para trás"

"As pessoas dão um passo para ti e tu dás dois para trás. És um triste, um miserável. Afastas as pessoas e se não entenderes isso a tempo vais acabar sozinho, triste e vazio. Mas é mesmo isso que mereces não é? És um egoísta que só pensa em si, não és capaz de amar ninguém para além de ti e mesmo assim tenho as minhas dúvidas se te consegues amar ao menos".

Aquelas palavras ecoavam-lhe na cabeça numa verdadeira rotina.
Afastava as pessoas, afastava-se a ele mesmo. Amigos, amores ... até dele mesmo se afastava. Não era a pessoa que outrora fora. Já não era mais aquela criança sorridente que ajudava todos e que queria estar bem com as pessoas de quem mais gostava. Agora, angustiado, magoado e desiludido só se afastava. Queria as pessoas longe dele, viver no seu canto sozinho, ouvir a sua música, escrever os seus textos carregados de ódio corrosivo. Vivia agarrado a um passado que havia sido severo com ele, agarrado a assuntos inacabados. A ódios. A dores. Havia mudado imenso. E ele odiava mudanças.
Porém aquilo ensinou-o. Deixou de viver dependente das pessoas que sempre o desiludiriam, colocou os sentimentos de parte e sempre que estes pareciam querer irromper pelo seu ser acima limitava-se a repudia-los de volta para o canto escuro do seu coração e lá ficavam enterrados e esquecidos. Tornou-se um egoísta maquiavélico onde a ética dos seus meios não importavam para os seus fins.
Agora vivia com ele mesmo, por vezes deixava um punhado de pessoas aproximar-se o suficiente apenas para recordar o tempo em que não era um solitário mas logo voltava a afastá-las quando estas começavam a andar para ele.
Tornou-se naquilo que lhe diziam que iria ser um dia, um miserável. E no fundo não era tão mau quanto isso!