Voltei a matar esta noite. O prazer de rasgar a carne, a luta da presa, os seus gritos desesperados a implorar para a poupar.
Estava grávida de três, quatro meses. Não mais que isso.
Ainda consigo ouvir os seus soluços enquanto dizia que ia ter um filho, para lhe poupar a vida.
Não liguei.
Matei-a aos poucos retirando todo o prazer da chacina. A faca na carne rasgando pele e músculos, os uivos de dor a minha respiração acelerada pela loucura.
E depois ... Depois parou. A sua voz esvaiu-se na noite, os seus membros caíram inertes contra a calçada.
Tão frágil o corpo humano, tão delicada a sua composição, tão sensível a sua existência ridícula.
Manchado de sangue olhei aquela mulher agora irreconhecível como tal.
Os olhos arrancados, os dentes espalhados pela rua, o maxilar a pender depois de o partir com um pontapé certeiro, o ventre aberto para a noite mostrando uma massa estranha no seu interior ... Outro ser destruído e no entanto a sua mãe não era muito diferente. Uma massa disforme, ensanguentada, irreconhecível.
Era de facto parecido com a sua mãe.
Virei costas e caí envolto nas sombras. Larguei a faca, instrumento tão útil nestas noites calorosas. À medida que a minha respiração acalmava lambia o sangue dos lábios limpando-os das réstias do meu prazer mórbido.
Voltei a matar esta noite. E certamente voltarei a fazê-lo.
-Diário de um louco-
16/03/2009
Monday, March 23, 2009
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