“A chuva insiste em entrar, mas é parada pela vidraça da janela limitando-se apenas a bater. Estou sentado a um canto desta sala, perdido na escuridão imensa, os meus pensamentos absorvem-me ainda mais que o negrume nocturno em meu redor.
Um raio brilha na tempestuosa noite e por momentos acordo, o suficiente para vislumbrar todo o recheio da sala, recheio esse que não passa de uma mesa com um simples candeeiro em cima, uma garrafa de Vodka e um revólver. Penso que cenário mais triste e decadente que este não existe.
Levanto-me, a custo, os meus músculos entorpecidos tendem a trair-me desequilibrando-me no meu curto caminho até à mesa, apoio-me neste e a madeira range perante o meu peso e rezo para que não ceda, afinal, só preciso de um pouco de apoio até os meus membros me concederem uma maior liberdade de movimentos.
Finalmente ando à minha vontade, embora não precise de ir longe, não tenho onde ir, não é?!
Mal agarro a garrafa cujo líquido incolor já ia a meio, os meus olhos brilham de satisfação. Pego também no revólver e um sorriso sádico rasga a minha cara. Volto a sentar-me no chão bebendo de uma maneira quase selvagem.
Nem noto o passar das horas, porém o meu corpo não pode dizer o mesmo. Há muito tempo que não o sinto já, o alcool desligou-me por complecto. Num momento desesperado pela vida miserável que levo, aponto o revólver à cabeça enquanto a minha garganta sente o ardor de mais um trago de Vodka. E agora?”
Saturday, June 9, 2007
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1 comment:
E agora, José ? (Carlos Drummond de Andrade)...já tanto me perguntei isso...Cris
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