Noite ... Fria como o meu coração, escura como a negridão dos tempos, silenciosa e leve como uma assassina. Noite, onde tudo pode acontecer, jovens dançam em discotecas, outros apanham uma bebedeira no bar mais próximo, tudo isto à noite onde dois corpos nús se unem formando apenas um numa demonstração plena de amor.
E lá no alto a lua brilhante como prata olha por todos no silêncio gelado do céu observada por casais que aproveitam o momento, por astrónomos com os seus telescópios que tentam encontrar mais uma estrela na infinidade do universo, por mim enquanto fumo um cigarro ao relento.
Um olhar menos atento não veria o fio de água salgada que descia a minha face vindo dos meus olhos e rumando em direcção dos meus lábios. Olho a lua com atenção como que hipnotizado pelo seu esplendor sem ligar nenhuma aos insectos noctívagos que me passam à frente dos olhos. O cigarro apaga-se chegando à beata, morreu na minha mão.
Morte, algo superior a nós à qual não podemos fugir nem esconder, porque em qualquer altura morreremos, é esse o ciclo da vida. Sento-me no chão vagarosamente de pernas cruzadas, o meu cabelo levanta ligeiramente ao vento que se faz sentir. Acordo por instantes olho para a mão e para a beata deitando-a fora, a minha posição sentada rapidamente passa para uma posição deitada, nisto a lua sai do meu campo de visão dando lugar às estrelas, aqueles pequenos pontos brilhantes pintados num manto negro.
Sinto os meus olhos pesados, a última coisa que vejo é uma estrela cadente caindo por fim num sono profundo esperando um sono eterno.
15/10/2005
Friday, July 20, 2007
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