Sunday, October 12, 2008

"Do pó vieste e ao pó regressarás"

"Do pó vieste e ao pó regressarás"

Eis quando o Demónio se ergue das cinzas e caminha sob o deserto pisando os cadáveres fétidos olhando a desgraça humana em seu redor. Retirou a sua espada negra do peito de um homem que ainda respirava pesadamente. Deu-lhe um pontapé na cabeça partindo-lhe o pescoço.

Levou o fio da lâmina à boca e provou o doce sangue com a língua. Os seus olhos negros brilharam com um fogo intenso e um sorriso insano desenhou-se na sua cara. O vento soprou varrendo os seus cabelos. Acima de si abutres voavam em círculos preparando-se para um festim necrófilo no chão. Um corvo surgiu então pousando no seu ombro olhando-o com um ar familiar. Grasnou e logo se ergueu no ar.

O Demónio embainhou a espada ao cinto numa baínha vermelha escalarte e atravessou o campo cadavérico deixando atrás de si um rasto de destruição consumido por abutres famintos.

Enrolou-se na sua túnica azul escura e caminhou para destino incerto com o sorriso demente ainda estampado no rosto.

5 comments:

Anonymous said...

Quando te fores embora, não faças barulho. Prefiro não saber, não te ouvir, não sentir ao olhar a tua sombra na parede e perceber que pode ser a última vez que a luz desenha o teu perfil aquilino, metade pássaro, metade imperador. Prefiro não saber que partes, porque ao menos assim, não choro a tua ausência, porque não me foi anunciada. E se não fizeres barulho e eu continuar adormecida, no dia seguinte vou imaginar que acordei em um outro lugar, que entrei numa dimensão desconhecida, que mudei de nome e de coração e que, como nunca te conheci, não posso chorar a tua perda.
Prefiro que partas de noite, quando os espíritos inconformados e sem pátria descem à terra à procura de uma alma distraída, porque assim não te vejo a olhar para a cama, a parar os ponteiros do relógio para guardares para sempre na tua memória o nosso último momento.
Sempre imaginei que partirias assim.. um dia podes te levantar da cama, a meio da noite, fugindo para sempre do teu ninho, só porque tens medo de nunca mais o conseguir abandonar.
Disse-me outro dia um amigo, sábio nos mistérios dos corações dos homens, que os homens têm medo das mulheres que amam. E têm medo que elas os traiam. E têm medo de ser felizes ao lado delas. E que a culpa manda no medo, manda na vontade, manda acima do desejo e do sonho, que a culpa é que decide e sabe e marca todos os passos.
Se voltar à terra, numa outra vida, talvez Deus me faça homem em vez de mulher e então pode ser que perceba esse medo tão estranho e absurdo que os homens parecem ter das mulheres. Talvez perceba porque é que tantos desistem daquela mulher mesmo sabendo que é aquela a que eles mais amam e exactamente por isso mesmo a deixam. Talvez entenda porque preferem a guerra, o poder, o cheiro das armas e da luta à doçura de um serão à lareira com chá de cidreira e torradas com geleia.
Se Deus me fizer um dia homem, talvez entenda a culpa, o peso da honra, o esforço das lágrimas invisíveis, o torpor surdo depois de um murro no estômago e outras coisas de rapazes, como as praxes, as partidas, as jantaradas de grupo e as despedidas de solteiro.
Mas enquanto isso não acontece, deixa-me dormir com a porta do quarto aberta...aceito que m dia poderás partir e acredita que se o fizeres, posso até aceitar, mesmo que nunca te entenda.
É que o amor é mesmo assim, saber aceitar é o seu primeiro segredo. E os outros vêm a seguir.
Margarida rebelo pinto
C. S

Anonymous said...

Quem raio és tu "C.S" ?

Anonymous said...

“Diz-me, do que é que te lembras mais do Verão que passámos juntos?
- Lembro-me de tudo
- Nada em particular?
- Não-disse ele
- Não te lembras? - Allie
Ele respondeu um momento depois, seriamente.
- Não, não é isso. Não é o que estás a pensar. Eu estava a falar a sério quando disse que me lembro de tudo. Posso recordar todos os momentos que passámos juntos, e em cada um deles havia qualquer coisa de maravilhoso. Não posso de facto escolher um momento que tenha sido mais significativo que outro. Todo o Verão foi perfeito, o Verão que toda a gente deveria ter. Como poderia escolher um momento em vez de outro? Os poetas muitas vezes descrevem o amor como uma emoção que não podemos controlar, uma emoção que abafa a lógica e o senso comum. Foi o que aconteceu comigo. Eu não planeei apaixonar-me por ti. Mas uma vez que nos encontrámos, ficou claro que nenhum de nós podia controlar o que nos estava a acontecer. Ficámos apaixonados, apesar das nossas diferenças, e assim que isso aconteceu, algo de raro foi criado. Para mim, um amor como aquele acontece apenas uma vez, e é por isso que cada minuto que passámos juntos ficou gravado na minha memória - Noah”


Hoje, estas palavras não devem ter qualquer sentido para ti.... nem para mim talvez
É incrível como aquilo que julgávamos ser um sentimento único, se transforma “nisto”.
Ódio?Talvez
Acho que nunca entenderei...

Por tudo aquilo que foste...por tudo aquilo que não és

Caçador de Sóis


06-11-08...............

Anonymous said...

"O amor diminui em quantidades proporcionalmente iguais às que o ódio aumenta"

Anonymous said...

"O amor e o ódio caminham lado a lado"